sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ricardo Teixeira se diz traído e que levou "cacetada" da Globo

Em conversas reservadas esta semana, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se disse perplexo e "revoltado" com o que considerou "cacetada da Globo". Para o dirigente, a reportagem do "JN" exibida no último sábado foi "uma porrada" e "pesada demais", nas palavras de Teixeira. A Folha teve acesso ao desabafo do dirigente por meio de pessoa próxima, que fez o relato sob a condição de anonimato.

No último dia 13, o "JN" utilizou três minutos para falar das investigações sobre supostas irregularidades em contrato da seleção brasileira para a realização de um amistoso ( Brasil 6 x 2 Portugal, em 2008). Foi a primeira vez que o telejornal da Globo entrou nas denúncias contra o comandante da CBF e até então um aliado histórico da emissora.

Aos amigos, Teixeira se disse traído por Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. Segundo informações, aliados de Teixeira ameaçam retaliar divulgando gravações de diálogos supostamente comprometedores de Campos Pinto, durante negociações feitas quando a Globo ainda tinha portas abertas na CBF.

"Eles soltam esse tal princípio editorial para me dar a cacetada?", desabafou Teixeira, vinculando o "ataque" sofrido à carta de princípios divulgada por todos os veículos das Organizações Globo, no último dia 6. O documento reafirma posições da Globo a respeito de isenção, correção jornalística etc. Sete dias depois do manifestol, veio a reportagem do "JN". Nesse mesmo dia também houve protesto na av. Paulista pedindo investigações sobre as denúncias e a saída de Teixeira da CBF.

Procurada, a Confederação não se manifestou. A emissora não quis manifestar por considerar que "só há suposição" (das gravações).

Para Teixeira, a "traição" é maior porque Campos Pinto lhe pediu pessoalmente ajuda para a Globo solapar as pretensões da Record, que tentava lhe tirar a exclusividade de transmissão do Campeonato Brasileiro. A Globo derrotou a Record, mas graças ao apoio da CBF.

Bola da Fortuna

Só em publicidade e outros contratos relacionados ao futebol, na Globo movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano. Como manobrou para implodir o Clube dos 13, a emissora teve de negociar individualmente com os times a realização dos próximos campeonatos. Estima-se que, só para cobrir o que gastou nessa guerra, a Globo Esportes terá de faturar cerca de R$ 840 milhões em 2012. O contrato dá direito à Globo de explorar o futebol também em outras mídias, como internet, tablets e celulares.

No ano passado, a Globo faturou com o futebol, tirando jogos da seleção, R$ 616 milhões em cotas de patrocínio, segundo informação da coluna Radar On-line, de Lauro Jardim.

Apesar do grande faturamento, o futebol não é mais lucrativo como no passado para a Globo.

Histórico de guerras

Além da briga com a Globo, Teixeira vem sendo alvo da TV Record, empresa que o detesta e lhe declarou guerra por causa do "imbróglio" do Clube dos 13. C13 e a Record estavam associados e a emissora já dava como certa a vitória na licitação pelo Brasileiro. Só que a Globo conspirou nos bastidores com auxílio da CBF e acabou com as pretensões da TV de Edir Macedo.

Quando o processo licitatório foi finalmente aberto pelo C13, Corinthians e Flamengo já estavam fechados com Globo, a Record teve de desistir sem apresentar proposta. Aproveitando uma brecha, a RedeTV! então surgiu (do nada) e ofereceu R$ 1,5 bilhão pelos direitos. Só que a proposta da RedeTV! estava vinculada a uma série de outras "condições", de forma que, dinheiro propriamente dito, concreto, quase não havia nessa proposta. Acabou descartada por todos os clubes.

O fato é que Ricardo Terra Teixeira, 64, aparentemente não contava com a reação da Globo, após sua entrevista à revista "Piauí" --entrevista que agora ele considera "um erro".

Na entrevista, o dirigente humilhou emissora, portais e jornalistas, e chegou a dizer "Caguei um montão", a respeito das denúncias que vinha sendo alvo, uma vez que era poupado de ataques na Globo e, em especial, no "Jornal Nacional". Dias depois, a Globo divulgou a lista de "princípios editoriais".

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